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Segunda-feira, 11 de Abril de 2005

Que raio de vida...


Hoje estou assim, triste, melancólica, dengosa, mole, ensonada, mal disposta....


Porque?! Não sei....


O que é certo, e podem não acreditar, é que toda esta história do Papa ter morrido, mexeu comigo. Não tenato por ter morrido, mas o porquê da sua morte… a doença.


Vivi anos com com um parkinsónico em casa, o meu avô.


Para quem não conhece esta doença:


“Descrita primeiramente por James Parkinson em  "An Essay on the Shaking Pulse" (1817) a doença de Parkinson é um dos distúrbios do movimento que mais acomete os idosos. É caracterizada por quatro sinais essenciais: rigidez, tremor, bradicinesia, e instabilidade postural. Há também comprometimento cognitivo que, aliado ao distúrbio motor, gera incapacidade comparável aos acidentes vasculares cerebrais.”


A degenereção acelerada, a decadência diária a que todos cá em casa assistimos, fez-nos sofrer demasiado, sobretudo porque, primeiro nunca pensámos que pudesse acontecer isso logo ao meu avô, um homem activo, inteligente, que continuou a trabalhar mesmo depois de reformado, depois porque ningúem estava preparado para lidar com uma pessoa com esta doença. A nossa falta de conhecimento, foi logo ultrapassada, por pesquizas que fizemos, por médicos amigos que nos ajudaram e que nos alertaram que não iria ser fácil.


De facto não foi. Psicologicamente foi um martírio. Já no seu fim de vida, ninguém dormia cá em casa.


Nunca deixamos que ele saisse de casa para um lar, apesar de se ter tornado quase um ser vegetal, ele sabia quem era quem e sentia ter toda a gente à sua volta. Quisémos enfim criar-lhe alguma qualidade de vida, mesmo que isso significasse que nós ficassemos psicologicamente acabados.


Assim, o acompanhamento médico foi feito tanto quanto possível, diariamente vinha um equipa da Santa Casa da Misericórdia fazer a higiene, essa hora era o tempo que tinhamos para organizar o resto do nosso dia.


Depois começamos a depararmo-nos com cenas ainda mais dificeis: fraldas, comida dada com uma seringa, e cada vez mais a rigidez muscular.


Daqui em diante se o cenário era já muito mau, tornou-se pavoroso. Uma pessoa deitada numa cama, meses a fio cria logicamente feridas, escaras etc.


As idas diárias ao hospital de ambulância ditaram a sentença, as pessoas que sempre o acompanharam disseram-nos que daqui em diante o teriamos de internar num lar, onde teria um acompanhamento próprio, que tinha sido muito bom ele ter ficado em casa, mas que se não fosse para um lar, qualquer dia quem ia parar ao internamento eramos nós.


E assim, foi. Passado um dia o meu avô morreu. Estamos cientes que fizemos o que foi certo, mas em todos há um sentimento de culpa, porque ele morreu logo a primeira noite fora de casa…


Por isso o estado degradante dos últimos dias do Papa mexeu muito comigo, porque a dada altura ele era a fotografia vida do meu avô no fim da sua vida.


A vida é mesmo assim não é!?


 

Malu às 16:20
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5 comentários:
De Anónimo a 14 de Abril de 2005 às 02:08
Oh amiga... espero que te animes, estar assim deprimida não é nada bom, ao menos que o nosso SCP nos dê :) hoje à noite!
Beijocas!!O turista
(http://www.turistar.blogspot.com)
(mailto:oturista@aeiou.pt)
De Anónimo a 11 de Abril de 2005 às 23:54
É, amiga p/ vezes a vida é mesmo mt difícil... Pensa no quanto o teu avô vos amou. O mais importante é que nunca deixaram de estar perto e assistir nos melhores e piores momentos. A vossa ajuda, atenção e carinho foi preciosa.
Os avós são sempre algo de muito especial... um tesouro que também já deixei de partilhar, mas que jamais esquecerei! Em relação ao Papa quem é q não ficou indiferente...? :(
Obrigada tb pelo teu comment; dps envia o teu e-mail, ok?
Beijinhos.Charlotte
(http://jardimdinverno.blogs.sapo.pt)
(mailto:charlotte-mail@hotmail.com)
De Anónimo a 11 de Abril de 2005 às 23:49
É, amiga p/ vezes a vida é mesmo mt difícil... Pensa no quanto o teu avô vos amou. O mais importante é que nunca deixaram de estar perto e de o assistir, enquanto necessitou da vossa ajuda, atenção e carinho. Os avós são sempre algo de muito especial... um tesouro que também já deixei de partilhar, mas que jamais esquecerei! Em relação ao Papa quem é q não ficou indiferente...? :(
Obrigada tb pelo teu comment; dps envia o teu e-mail, ok?
Beijinhos.Charlotte
(http://jardimdinverno.blogs.sapo.pt)
(mailto:charlotte-mail@hotmail.com)
De Anónimo a 11 de Abril de 2005 às 22:44
Percebo bem o que sentes. A minha mãe faleceu há cerca de um ano vitima de Parkinsonismo. Todos os dias sinto a sua falta para me abraçar, para me aconselhar, para me fazer companhia, ..... Que saudades minha Mãe :( .... A vida continua mas doi muito ... doi mesmo muito.grilinha
(http://grilinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:grila@netcabo.pt)
De Anónimo a 11 de Abril de 2005 às 21:59
Com o meu avô foi Alzheimer.Ele levantavá-se durante a noite e abria as torneiras todas e depois não se lembrava e só dávamos por isso quando o andar de baixo já estava inundado.Outra vez foi ao banco e levantou o dinheiro todo e depois veio dá-lo ás pessoas que passavam na rua...o que vale é que ninguém aceitou!No fim da vida já não me conhecia ou então chamava-me João que era o meu pai...é,a vida é mesmo assim e o meu único desejo é morrer antes de começar a degenerar porque não ia aguentar ser um peso para os meus...beijinho*pekala
(http://neurotic.blogs.sapo.pt)
(mailto:pekala@sapo.pt)

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