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Domingo, 16 de Maio de 2004

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blog-titulo.gifConsideraçoes sobre estar sozinho e o amor do sec.XXI (interessante)


 


Sobre estar sozinho; e às vezes com tanta gente por perto ....


 Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.


O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.


O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.


Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.


A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.


A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.


Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.


Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do o! utro, se ja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.


A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único.


Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.


Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.


O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...  A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado."


                                                                                                                                                Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta.

Malu às 00:22
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5 comentários:
De Anónimo a 17 de Maio de 2004 às 18:40
Dá que pensar!Togotogo
(http://togotogo.blogs.sapo.pt)
(mailto:blablablameu@hotmail.com)
De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 19:48
--->> É como eu sempre digo, antes de gostarmos de alguém, devemos saber gostar de nós próprios!Malu
(http://www.tintaspermanentes.blogs.sapo.pt)
(mailto:noquinhas79@mail.pt)
De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 17:43
hoje em dia as pessoas saltam de relação em relação sem sequer dar um tempo a si próprias e isso não me parece muito saudavel,é como se tivéssem medo de se encontrar,medo de ficar sozinhas,há pessoas que nunca vão descobrir como é bom dedicarmos algum tempo a nós próprios mesmo que seja para fazer nada!obrigada pela visita e obrigada por me linkares!beijinhos e bom fim de semana!(ou o k resta dele:))pekala
(http://neurotic.blogs.sapo.pt)
(mailto:pekala@sapo.pt)
De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 08:46
É uma reflexão muito sintonizada com o modo como vejo a vida actualmente. E vinda de um profissional. Concordo em género e número. Se não estivermos bem conosco próprios jamais seremos felizes com outra pessoa.jesusrocks
(http://jesusrocks.blogs.sapo.pt)
(mailto:jesusrocks@sapo.pt)
De Anónimo a 16 de Maio de 2004 às 01:08
Olá! Vim retribuir a tua visita! Como estou com soninho, não me vou demorar mas amanhã venho ver o teu blog com mais calma, pois também me parece bastante interessante! Bom domingo!salta-pocinhas
(http://fabulas.blogs.sapo.pt)
(mailto:mapsl@sapo.pt)

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